Empreender por necessidade envolve desafios muito diferentes dos enfrentados por quem empreende por opção. Como superar esses desafios e fazer sua empresa prosperar?

Enquanto muitas pessoas decidem mudar de vida, sair do emprego e começar seu próprio negócio, outras precisam lidar com o desemprego ou demandas financeiras urgentes e não veem outra opção senão começar a empreender por conta própria.

Cada vez mais o empreendedorismo por necessidade tem se tornado algo comum na vida de milhares de brasileiros, seja pelas dificuldades financeiras que o país enfrenta, seja pelas circunstâncias individuais.

Portanto, é preciso educar as pessoas a respeito dos riscos presentes e cuidados necessários para que o negócio consiga prosperar sem prejudicar financeiramente o empreendedor.

Saiba como ir além do empreendedorismo por necessidade. Neste artigo, conheça 3 empreendedores que começaram por necessidade e alcançaram o sucesso com seus negócios.

Sodiê Doces – Cleusa Maria

Cleusa Maria já trabalhou como cortadora de cana e empregada doméstica. Hoje, seu negócio voltado para o ramo dos bolos e doces é uma das maiores franquias do Brasil, sendo mais de 250 unidades presentes em mais de 10 estados. A empreendedora atribui seu sucesso à perseverança, foco e persistência.

De família pobre, Cleusa começou a trabalhar cedo para ajudar a mãe. Há mais de 20 anos atrás, ela aprendeu a fazer bolos para ajudar sua patroa e, usando o conhecimento passado pela mesma, começou a fazer seus próprios bolos e doces para vender. Cleusa então adquiriu alguns equipamentos básicos e abriu sua primeira loja, no interior de São Paulo.

Segundo Cleusa, a escolha de empreender no setor de confeitaria aconteceu por acaso. Antes de se chamar Sodiê – uma junção dos nomes Sofia e Diego, filhos de Cleusa – a loja se chamava Sensações Doces. Foram vários anos de trabalho árduo até o negócio se estruturar e, quando isso aconteceu, a empreendedora abriu outras lojas e começou a operar com franquias.

A empreendedora acredita na importância de se educar e se informar para gerenciar corretamente um negócio.

De fato, fazer cursos e procurar apoio de órgãos como o Sebrae pode fazer toda a diferença. Além disso, no empreendedorismo por necessidade é essencial ter foco e se dedicar para entregar produtos ou serviços de qualidade e assim conseguir competir com a concorrência.

Cleusa diz para os empreendedores não desistirem facilmente, visto que no começo do negócio há muitos obstáculos e o retorno financeiro não é imediato. Além disso, é preciso fazer sacrifícios para dedicar tempo e recursos ao negócio, para mantê-lo e fazê-lo crescer.

É preciso estar sempre interessado em aprender mais e se aprimorar, não se contentando em entregar e vender produtos “mais ou menos”. Porque quem tem paixão pelo trabalho e desenvolve as habilidades necessárias para estruturar o negócio, colhe os frutos no futuro.

JR Diesel – Geraldo Rufino

Geraldo Rufino é o fundador da JR Diesel, a maior empresa de reciclagem e desmontagem de veículos da América Latina. Esse é mais um case de sucesso do empreendedorismo por necessidade. Nascido em Minas Gerais e criado na favela do Sapé, em São Paulo, Geraldo começou a trabalhar ainda na infância como catador de latinhas e outros itens que levava para vender no ferro-velho.

Quando perdeu a mãe com sete anos de idade, abandonou a escola, mas retornou aos treze anos quando o gerente do seu novo trabalho exigiu isso. Trabalhando como office boy, Geraldo adquiriu um fusca, o qual trocou por uma kombi algum tempo depois. Já na vida adulta, ele possuía dois caminhões, utilizados para transportar adubo.

No ano de 1985, ambos os caminhões se envolveram em acidentes, sofrendo muitos danos e impossibilitando Geraldo de continuar trabalhando com eles. Como os veículos não tinham seguro e Geraldo não tinha recursos para consertá-los, ele viu o desmonte e a venda das peças dos caminhões como uma alternativa para amenizar o prejuízo.

Ele conseguiu negociar as peças e, percebendo que essa poderia ser uma oportunidade promissora, Geraldo começou a mudar os rumos de sua vida profissional. O trabalho na JR Diesel começou com desmanche manual, e hoje a empresa fatura milhões de reais anualmente.

Geraldo possui um grande galpão e uma loja em Osasco, onde toca seu negócio. Ele já fez parceria com empresários estrangeiros, mas isso resultou em um prejuízo de mais de R$ 15 milhões. Com o passar do tempo, foi possível reestruturar a empresa e fazê-la crescer novamente.

Geraldo é otimista, trabalhador e tem orgulho de suas origens. Além do sucesso nos negócios ele também lançou um livro, “O Catador de Sonhos”, e foi palestrante no TED Talks, sendo possível encontrar sua palestra no canal oficial do TED no YouTube.

Instituto Divas – Vivi Andreozzi

No início da década de 90, Vivi trabalhava em uma fábrica mas, em meio a uma grande crise financeira que afetava todo o Brasil, ela perdeu o emprego. Diante da necessidade de trabalhar para complementar a renda e também cuidar da filha, que na época era bebê, Vivi decidiu fazer um curso de depilação e começou a trabalhar em casa, atendendo suas clientes enquanto tomava conta da filha.

Como acontece na maioria dos casos, ela foi conquistando clientes e fazendo novos cursos para suprir a demanda. Mas, ao se tornar cabeleireira, ela descobriu não apenas sua vocação, como também uma oportunidade de negócio.

Assim, em 1994, Vivi abriu seu próprio salão na zona norte de São Paulo e também foi convidada pelo Senac para ser professora na área da beleza. Alguns anos depois, ela se dedicou a um curso de Tecnologia Química em Cosméticos para poder desenvolver sua própria linha de produtos.

Alguns anos depois, investindo a partir dos recursos obtidos por meio do salão e da venda dos produtos, Vivi decidiu montar uma escola de cursos na área da beleza. Ela notou que, ao apresentar seus produtos para os cabeleireiros, muitos deles tinham apenas conhecimento superficial. Para estimular o desenvolvimento de profissionais mais qualificados, ela criou o Instituto Divas em 2010.

Hoje, o Instituto Divas oferece cursos de barbearia, cabeleireiro profissional, design de sobrancelhas, gestão de salões, manicure, maquiagem e pedicure. Vivi atribui o sucesso do empreendimento à boa gestão financeira e à decisão de reinvestir o lucro obtido, ao invés de priorizar gastos pessoais como casas e carros.

O Instituto Divas possui unidade própria e franqueadas, tendo o objetivo de expandir cada vez mais e aumentar o faturamento. Vivi acredita que investir na área da beleza é um bom negócio, sendo possível começar de maneira humilde e com baixo investimento. A dedicação, o estudo e a prática são essenciais para trilhar um caminho de sucesso no empreendedorismo por necessidade.

Diversos fatores influenciam no sucesso ou fracasso de um negócio. As circunstâncias podem permitir que a pequena empresa seja lucrativa o suficiente para manter o sustento da família, mas podem surgir oportunidades para transformá-la em algo muito maior.

Os recursos financeiros disponíveis para investir e a mentalidade do próprio empreendedor também influenciam bastante nos rumos do negócio. Portanto, aprender sobre finanças, gestão e empreendedorismo é essencial para as pessoas que desejam ou precisam empreender.

Cacau Show – Alexandre Costa

O início da Cacau Show se deu no ano de 1988, quando o jovem Alexandre Costa, de apenas 17 anos, decidiu que iria revender chocolates para ganhar algum dinheiro.

Foi naquele ano, na época da páscoa, que Alexandre conseguiu 2 mil pedidos de ovos de chocolate de 50 g, que a Fábrica não seria capaz de dar conta de produzir.

Nesse momento, surgiu o empreendedorismo por necessidade, e o garoto decidiu produzir os ovos ele mesmo. Com a ajuda de uma senhora confeiteira, atendeu o pedido.

A princípio, Alexandre teve que comprar a matéria prima com o dinheiro emprestado de um tio, na época em torno de 500 dólares. Com a venda dos ovos, recuperou o dinheiro.

Com o lucro da venda dos ovos, o garoto alugou uma sala na empresa dos pais. Em 2001 inaugurou a primeira loja. Hoje é a maior rede de franquias de chocolates finos do mundo.

Wise Up – Flavio Augusto

A história da Wise Up começa quando Flávio Augusto percebeu uma carência no setor de ensino de inglês no país, que não tinha opções para adultos.

Tudo começou quando Flávio, de uma família de classe baixa, sem ensino superior, tendo estudado em escolas públicas, foi contratado pela área de vendas de uma escola de inglês.

Em pouco tempo, graças a sua dedicação, tornou-se gerente de vendas. E após quatro anos de empresa, o rapaz percebeu uma grande oportunidade no setor.

Não existiam escolas de inglês que focassem em ensinar inglês para adultos, uma necessidade do mercado que não era atendida.

Com a ideia na cabeça, o empreendedor pegou um cheque especial junto de sua mulher e abriu a Wise Up. Se tivesse dado errado, eles não teriam conseguido pagar o empréstimo.

Mas em pouco tempo a Wise Up cresceu. Aos 26 anos a escola tinha 24 filiais e mais de mil funcionários. Um caso emblemático de empreendedorismo por necessidade.

Jan Koum – WhatsApp

O criador do WhatsApp, o maior aplicativo de troca de mensagens hoje, Jan Koum, é um ucraniano que viveu durante a época da União Soviética, na pobreza.

Os pais de Jan tinham medo de falarem ao telefone e serem espionados pelo governo. Em sua casa não havia água quente e na sua escola não havia banheiro.

Quando tinha 16 anos, ele, sua mãe e sua avó escaparam para os EUA, onde viviam do programa de estampas do governo e em instituições governamentais para desabrigados.

Foi então que, depois de muitos empregos, chegou a trabalhar no Yahoo, onde após a sua saída, desenvolveu o whatsApp, que inicialmente nem era para troca de mensagens.

Após modificações, o aplicativo começou a fazer sucesso, tornando Jan um bilionário ao vender a solução para o Facebook. Seu passado ficou para trás, graças a ter investido no empreendedorismo por necessidade.

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